Os Sentidos não têm sentido
Dir-me-iam o quê, Deuses surdos e mudos e insípidos?
Dois sentidos é muito para quem teve pouco, mas é muito pouco para quem teve muito!
Dois sentidos, apenas: Visão e Tato. Visão tímida, tato redundante, indeciso. Olfato nulo, ininteligível. Audição monossílábica, ou até onomatopéica. Gustação incontestavelmente desproporcional. Ph -30° F.
Sexto sentido. Medo de sentir o sexto sentido. Medo de saber que o sexto sentido existe. Pavor do sexto sentido.
Dor, de quem não tem sentido, que não está sentido. Um sentido, mais outro sentido. Dois sentidos. Uma só sentida. Mas dois sentidos em uma só sentida. Mais que isso é arriscado. O poço vem rapidamente até nós. O fundo do poço é mais raso que dois sentidos. Confiram comigo:
> O poço é dois mais um milésimo, menos um, sobre dois.
> O fundo do fundo do poço é um menos esse milésimo, mais meio.
> Embaixo do fundo do poço é esse um menos o tal do milésimo, menos vírgula novecentos e noventa e nove.
Pelo menos o sentimento de começar do zero e de poder fazer as coisas da melhor maneira possível recompensa. Além do mais, zero é melhor que um milésimo!
Atenção > > > a tensão! A-lanina, A-drenalina, A-nilina, A-cepcia, Naftalina...
Sinestesia > > > sem anestesia. Indolor, sem dor, sem cor, sem calor, sem pudor, sem amor...
"On ne voit bien qu`avec le coeur. L`essential est invisible pour les yeux"
(Só se vê o bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos)
+++ Etecetera
http://www.iar.unicamp.br/alunos/poesiavisual/labios_01.swf
Sunday Morning Call, Oasis
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2004
Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2004
Ciência plenamente refutável vs Auto-ajuda de 5ª
Apresento-lhes uma experiência diretamente tirada da internet (sem fonte, portanto) e uma conclusão pseudo-filosófica plenamente contestáveis. Minhas conclusões acerca do conteúdo não causam nenhum reboliço. O ceticismo constante traz à tona a inércia de quem já está parado. Mas sintam-se à vontade para criticar e/ou contemplar a idéia proposta (Você e etc.). Agradeço a compreensão e a paciência.
O aforismo subseqüente, no entanto, é de altíssima qualidade e autoria comprovada.
>>> Ciência plenamente refutável
Um cientista coloca um ratinho em uma gaiola. No início, ele ficará passeando de um lado para outro, movido pela curiosidade. Quando sentir fome, irá na direção ao alimento. Ao tocar no prato, no qual o pesquisador instalou um circuito elétrico, o ratinho levará um substancial choque. Depois disso, o ratinho correrá na direção oposta ao prato. A dor provocada pelo choque faz com que despreze o alimento. Depois de algum tempo, porém, o ratinho entrará em contato com a dupla possibilidade da morte: a morte pelo choque ou pela fome. Quando a fome se tornar insuportável, o ratinho, vagarosamente, irá de novo em direção ao prato. Neste interím, no entanto, o pesquisador desliga o circuito e o prato não está mais eletrificado. Porém, ao chegar a quase tocá-lo, o medo se tornara tão grande que o ratinho terá a "sensação" de que levou um segundo choque. Haverá taquicardia, seus pêlos se eriçarão e ele correrá novamente em direção oposta ao prato.
Se lhe perguntássemos o que aconteceu, a provável resposta seria: - "Levei outro choque". Entretanto, a energia elétrica estava desligada!
A partir desse momento, o ratinho vai entrando numa tensão muito grande. Seu objetivo, agora, é encontrar uma posição intermediária entre o ponto da fome e o do alimento que lhe dê uma certa tranqüilidade. Agora, qualquer estímulo distinto do sossego da gaiola, por mais simples que seja, como barulho, luminosidade ou algo que mude o ambiente, levará o ratinho a uma reação de fuga em direção ao lado oposto do prato. É importante observar que ele nunca corre em direção à comida, que é o que ele realmente precisa para sobreviver. Se o pesquisador empurrar o rato em direção ao prato, ele poderá morrer em conseqüência de uma parada cardíaca, motivada pelo excesso de adrenalina, causado pelo medo de que o choque primitivo se repita.
>>> Auto-ajuda de 5ª
Quantas vezes, esta semana, você teve vontade de convidar alguém para sair, para conversar, para ir à praia ou ao cinema, e não o fez, temendo que a pessoa pudesse não ter tempo ou não gostasse de sua companhia e, desse modo, acabou se sentindo rejeitado, sem ao menos ter tentado?
Quantas vezes você se apaixonou sem que o outro jamais soubesse do seu amor?
Quantas vezes você abandonou alguém, com medo de ser abandonado antes?
Quantas vezes você sofreu sozinho, com medo de pedir ajuda e ficar "dependente" de alguém?
Quantas vezes você se afastou de um grande amor, com medo de se comprometer?
Quantas vezes você não se entregou ao amor por medo de perder o controle de sua "liberdade"?
Quantas vezes você deixou de viver um grande amor com medo de sofrer de novo?
Quantas vezes você tomou um choque sem tocar no prato?
"Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
William Shakespeare
+++ Etecetera
A alma do mundo, Suzana Tamaro
Free as a bird, The Beatles
Apresento-lhes uma experiência diretamente tirada da internet (sem fonte, portanto) e uma conclusão pseudo-filosófica plenamente contestáveis. Minhas conclusões acerca do conteúdo não causam nenhum reboliço. O ceticismo constante traz à tona a inércia de quem já está parado. Mas sintam-se à vontade para criticar e/ou contemplar a idéia proposta (Você e etc.). Agradeço a compreensão e a paciência.
O aforismo subseqüente, no entanto, é de altíssima qualidade e autoria comprovada.
>>> Ciência plenamente refutável
Um cientista coloca um ratinho em uma gaiola. No início, ele ficará passeando de um lado para outro, movido pela curiosidade. Quando sentir fome, irá na direção ao alimento. Ao tocar no prato, no qual o pesquisador instalou um circuito elétrico, o ratinho levará um substancial choque. Depois disso, o ratinho correrá na direção oposta ao prato. A dor provocada pelo choque faz com que despreze o alimento. Depois de algum tempo, porém, o ratinho entrará em contato com a dupla possibilidade da morte: a morte pelo choque ou pela fome. Quando a fome se tornar insuportável, o ratinho, vagarosamente, irá de novo em direção ao prato. Neste interím, no entanto, o pesquisador desliga o circuito e o prato não está mais eletrificado. Porém, ao chegar a quase tocá-lo, o medo se tornara tão grande que o ratinho terá a "sensação" de que levou um segundo choque. Haverá taquicardia, seus pêlos se eriçarão e ele correrá novamente em direção oposta ao prato.
Se lhe perguntássemos o que aconteceu, a provável resposta seria: - "Levei outro choque". Entretanto, a energia elétrica estava desligada!
A partir desse momento, o ratinho vai entrando numa tensão muito grande. Seu objetivo, agora, é encontrar uma posição intermediária entre o ponto da fome e o do alimento que lhe dê uma certa tranqüilidade. Agora, qualquer estímulo distinto do sossego da gaiola, por mais simples que seja, como barulho, luminosidade ou algo que mude o ambiente, levará o ratinho a uma reação de fuga em direção ao lado oposto do prato. É importante observar que ele nunca corre em direção à comida, que é o que ele realmente precisa para sobreviver. Se o pesquisador empurrar o rato em direção ao prato, ele poderá morrer em conseqüência de uma parada cardíaca, motivada pelo excesso de adrenalina, causado pelo medo de que o choque primitivo se repita.
>>> Auto-ajuda de 5ª
Quantas vezes, esta semana, você teve vontade de convidar alguém para sair, para conversar, para ir à praia ou ao cinema, e não o fez, temendo que a pessoa pudesse não ter tempo ou não gostasse de sua companhia e, desse modo, acabou se sentindo rejeitado, sem ao menos ter tentado?
Quantas vezes você se apaixonou sem que o outro jamais soubesse do seu amor?
Quantas vezes você abandonou alguém, com medo de ser abandonado antes?
Quantas vezes você sofreu sozinho, com medo de pedir ajuda e ficar "dependente" de alguém?
Quantas vezes você se afastou de um grande amor, com medo de se comprometer?
Quantas vezes você não se entregou ao amor por medo de perder o controle de sua "liberdade"?
Quantas vezes você deixou de viver um grande amor com medo de sofrer de novo?
Quantas vezes você tomou um choque sem tocar no prato?
"Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
William Shakespeare
+++ Etecetera
A alma do mundo, Suzana Tamaro
Free as a bird, The Beatles
Domingo, 1 de Fevereiro de 2004
Constituição & etc.
Bom pessoal, um pouquinho de cultura cívica para reanimar nosso amor pela Pátria.
Constituição é a lei fundamental e suprema de um Estado, que contém um conjunto de normas reguladoras referentes, entre outras questões, à forma de governo, à organização dos poderes públicos, à distribuição de competências e aos direitos e deveres dos cidadãos et coetera. Toda outra forma de legislação deve respeitá-la, independente de onde venha, inclusive no caso de legislação internacional.
O Brasil tem na sua história sete constituições oficiais, uma no período monárquico e seis no período republicano. As mudanças constitucionais, em geral, ocorrem no contexto de importantes modificações sociais e políticas do país, como geralmente acontece com qualquer nova deliberação.
São inúmeras as modificações constitucionais e a quantidade de leis existentes no nosso país. Para se ter uma idéia, até o ano passado haviam sido registradas mais de 40.000 leis especiais, que são responsáveis por regular matérias específicas. Também como parâmetro, no ano de 2003 foram votadas 87 novas leis pelo Congresso Nacional, sendo que algumas delas ainda nem entraram em vigor.
Parece complicado manusear todo esse aparato jurídico, mas na verdade pouco do que se produz hoje no Brasil é realmente eficaz à realidade da sociedade como um todo. Diz-se, então, que a lei "não pegou", e todo aquele esforço dispendioso torna-se inútil.
Isso acontece porque ainda boa parte da mentalidade tupiniquim prefere sobrelevar os interesses individuais a lutar para que o país se desenvolva como nação. Corrupção, apadrinhamento, negligência, tudo isso é só uma ponta do grandioso poço de desonestidade no qual o Brasil está imerso.
"A luta pelo direito é um dever do indivíduo para consigo mesmo (...) A defesa do direito constitui um dever para com a comunidade".
Ihering, Rudolf von. A Luta Pelo Direito.
Abaixo vocês podem conferir um resumo das sete constituições:
Constituição de 1824
Primeira Constituição do país, outorgada por dom Pedro I. Mantém os princípios do liberalismo moderado.
Principais medidas - Fortalecimento do poder pessoal do imperador com a criação do Poder Moderador acima dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. As províncias passam a ser governadas por presidentes nomeados pelo imperador. Eleições indiretas e censitárias, com o voto restrito aos homens livres e proprietários e condicionado a seu nível de renda.
Reformas - Ato Adicional de 1834, que cria as Assembléias Legislativas provinciais. Legislação eleitoral de 1881, que elimina os dois turnos das eleições legislativas.
Constituição de 1891
Promulgada pelo Congresso Constitucional que elege Deodoro da Fonseca presidente. Tem espírito liberal, inspirado na tradição republicana dos Estados Unidos.
Principais medidas - Estabelece o presidencialismo, confere maior autonomia aos estados da federação e garante a liberdade partidária.
Institui eleições diretas para a Câmara, o Senado e a Presidência da República, com mandato de quatro anos. 0 voto é universal e não-secreto para homens acima de 21 anos e vetado a mulheres, analfabetos, soldados e religiosos. Determina a separação oficial entre o Estado e a Igreja Católica e elimina o Poder Moderador.
Constituição de 1934
Promulgada pela Assembléia Constituinte durante o primeiro governo do presidente Getúlio Vargas, reproduz a essência do modelo liberal anterior.
Principais medidas - Confere maior poder ao governo federal. Estabelece o voto obrigatório e secreto a partir dos 18 anos e o direito de voto às mulheres, já instituídos pelo Código Eleitoral de 1932. Prevê a criação da Justiça Eleitoral e da Justiça do Trabalho.
Constituição de 1937
Outorgada por Getúlio Vargas, é inspirada nos modelos fascistas europeus. Institucionaliza o regime ditatorial do Estado Novo.
Principais medidas - Institui a pena de morte, suprime a liberdade partidária e anula a independência dos poderes e a autonomia federativa. Permite a suspensão de imunidade parlamentar, a prisão e o exílio de opositores. Estabelece eleição indireta para presidente da República, com mandato de seis anos.
Constituição de 1946
Promulgada durante o governo Dutra, reflete a derrota do nazi-fascismo na II Guerra Mundial e a queda do Estado Novo.
Principais medidas - Restabelece os direitos individuais, extinguindo a censura e a pena de morte. Devolve a independência dos três poderes, a autonomia dos estados e municípios e a eleição direta para presidente da República, com mandato de cinco anos.
Reformas - Em 1961 sofre importante reforma com a adoção do parlamentarismo, posteriormente anulada pelo plebiscito de 1963, que restaura o regime presidencialista.
Constituição de 1967
Promulgada pelo Congresso Nacional durante o governo Castello Branco. Institucionaliza a ditadura do Regime Militar de 1964.
Principais medidas - Mantém o bipartidarismo criado pelo Ato Adicional n° 2 e estabelece eleições indiretas para presidente da República, com mandato de quatro anos.
Reformas - Emenda Constitucional n° 1, de 1969 (praticamente se considera uma nova constituição), outorgada pela Junta Militar. Incorpora nas suas Disposições Transitórias os dispositivos do Ato Institucional n° 5 (AI-5), de 1968, permitindo que o presidente, entre outras coisas, feche o Congresso, casse mandatos e suspenda direitos políticos. Dá aos governos militares completa liberdade de legislar em matéria política, eleitoral, econômica e tributária. Na prática, o Executivo substitui o Legislativo e o Judiciário. No período da abertura política, várias outras emendas preparam o restabelecimento de liberdades e instituições democráticas.
A Constituição de 1988
É a Constituição em vigor. Elaborada por uma Assembléia Constituinte, legalmente convocada e eleita, é promulgada no governo José Sarney. É a primeira a permitir a incorporação de emendas populares. Boa parte dos dispositivos constitucionais ainda depende de regulamentação.
Principais medidas - Mantém a tradição republicana brasileira do regime representativo, presidencialista e federativo. Amplia e fortalece os direitos individuais e as liberdades públicas que haviam sofrido restrições com a legislação do Regime Militar-, garantindo a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Conserva o Poder Executivo forte permitindo a edição de medidas provisórias com força de lei - vigoram por um mês e são reeditadas enquanto não forem aprovadas ou rejeitadas pelo Congresso. Estende o direito do voto facultativo a analfabetos e maiores de 16 anos. Estabelece a educação fundamental como obrigatória, universal e gratuita. Enfatiza a defesa do meio ambiente, transformando o combate à poluição e a preservação da fauna, flora e paisagens naturais em obrigação da União, estados e municípios. Reconhece também o direito de todos ao meio ambiente equilibrado e a uma boa qualidade de vida. Determina que o poder público tem o dever de preservar documentos, obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, bem como os sítios arqueológicos.
Reformas - Começam a ser votadas pelo Congresso Nacional a partir de 1992. Algumas das principais medidas abrem para a iniciativa privada atividades antes restritas à esfera de ação do Estado. Essa desregulamentação é feita com o objetivo de adequar o país às regras econômicas do mercado internacional. Para isso é liberada a navegação pela costa e interior do país (cabotagem) para embarcações estrangeiras. O conceito de empresa brasileira de capital nacional é eliminado, não havendo mais distinção entre empresa brasileira e estrangeira. A iniciativa privada, tanto nacional quanto internacional, é autorizada a explorar a pesquisa, a lavra e a distribuição dos derivados de petróleo, as telecomunicações e o gás encanado. As empresas estrangeiras adquirem o direito de exploração dos recursos minerais e hidráulicos.
Na política ocorre a regulamentação de questões eleitorais, o mandato do presidente da República é reduzido de cinco para quatro anos e, em 1997, é aprovada a reeleição do presidente da República, de governadores e prefeitos. Candidatos processados por crime comum não podem ser eleitos, e os parlamentares submetidos a processo que possa levar à perda de mandato e à inelegibilidade não podem renunciar para impedir a punição. A Constituição também passa a admitir a dupla nacionalidade para brasileiros em dois casos: quando estes têm direito a outra nacionalidade por ascendência consangüínea ou quando a legislação de um país obriga o cidadão brasileiro residente a pedir sua naturalização.
+++ Etecetera
http://www.brasil.gov.br/
Brasileirinho, Altamiro Carrilho
Bom pessoal, um pouquinho de cultura cívica para reanimar nosso amor pela Pátria.
Constituição é a lei fundamental e suprema de um Estado, que contém um conjunto de normas reguladoras referentes, entre outras questões, à forma de governo, à organização dos poderes públicos, à distribuição de competências e aos direitos e deveres dos cidadãos et coetera. Toda outra forma de legislação deve respeitá-la, independente de onde venha, inclusive no caso de legislação internacional.
O Brasil tem na sua história sete constituições oficiais, uma no período monárquico e seis no período republicano. As mudanças constitucionais, em geral, ocorrem no contexto de importantes modificações sociais e políticas do país, como geralmente acontece com qualquer nova deliberação.
São inúmeras as modificações constitucionais e a quantidade de leis existentes no nosso país. Para se ter uma idéia, até o ano passado haviam sido registradas mais de 40.000 leis especiais, que são responsáveis por regular matérias específicas. Também como parâmetro, no ano de 2003 foram votadas 87 novas leis pelo Congresso Nacional, sendo que algumas delas ainda nem entraram em vigor.
Parece complicado manusear todo esse aparato jurídico, mas na verdade pouco do que se produz hoje no Brasil é realmente eficaz à realidade da sociedade como um todo. Diz-se, então, que a lei "não pegou", e todo aquele esforço dispendioso torna-se inútil.
Isso acontece porque ainda boa parte da mentalidade tupiniquim prefere sobrelevar os interesses individuais a lutar para que o país se desenvolva como nação. Corrupção, apadrinhamento, negligência, tudo isso é só uma ponta do grandioso poço de desonestidade no qual o Brasil está imerso.
"A luta pelo direito é um dever do indivíduo para consigo mesmo (...) A defesa do direito constitui um dever para com a comunidade".
Ihering, Rudolf von. A Luta Pelo Direito.
Abaixo vocês podem conferir um resumo das sete constituições:
Constituição de 1824
Primeira Constituição do país, outorgada por dom Pedro I. Mantém os princípios do liberalismo moderado.
Principais medidas - Fortalecimento do poder pessoal do imperador com a criação do Poder Moderador acima dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. As províncias passam a ser governadas por presidentes nomeados pelo imperador. Eleições indiretas e censitárias, com o voto restrito aos homens livres e proprietários e condicionado a seu nível de renda.
Reformas - Ato Adicional de 1834, que cria as Assembléias Legislativas provinciais. Legislação eleitoral de 1881, que elimina os dois turnos das eleições legislativas.
Constituição de 1891
Promulgada pelo Congresso Constitucional que elege Deodoro da Fonseca presidente. Tem espírito liberal, inspirado na tradição republicana dos Estados Unidos.
Principais medidas - Estabelece o presidencialismo, confere maior autonomia aos estados da federação e garante a liberdade partidária.
Institui eleições diretas para a Câmara, o Senado e a Presidência da República, com mandato de quatro anos. 0 voto é universal e não-secreto para homens acima de 21 anos e vetado a mulheres, analfabetos, soldados e religiosos. Determina a separação oficial entre o Estado e a Igreja Católica e elimina o Poder Moderador.
Constituição de 1934
Promulgada pela Assembléia Constituinte durante o primeiro governo do presidente Getúlio Vargas, reproduz a essência do modelo liberal anterior.
Principais medidas - Confere maior poder ao governo federal. Estabelece o voto obrigatório e secreto a partir dos 18 anos e o direito de voto às mulheres, já instituídos pelo Código Eleitoral de 1932. Prevê a criação da Justiça Eleitoral e da Justiça do Trabalho.
Constituição de 1937
Outorgada por Getúlio Vargas, é inspirada nos modelos fascistas europeus. Institucionaliza o regime ditatorial do Estado Novo.
Principais medidas - Institui a pena de morte, suprime a liberdade partidária e anula a independência dos poderes e a autonomia federativa. Permite a suspensão de imunidade parlamentar, a prisão e o exílio de opositores. Estabelece eleição indireta para presidente da República, com mandato de seis anos.
Constituição de 1946
Promulgada durante o governo Dutra, reflete a derrota do nazi-fascismo na II Guerra Mundial e a queda do Estado Novo.
Principais medidas - Restabelece os direitos individuais, extinguindo a censura e a pena de morte. Devolve a independência dos três poderes, a autonomia dos estados e municípios e a eleição direta para presidente da República, com mandato de cinco anos.
Reformas - Em 1961 sofre importante reforma com a adoção do parlamentarismo, posteriormente anulada pelo plebiscito de 1963, que restaura o regime presidencialista.
Constituição de 1967
Promulgada pelo Congresso Nacional durante o governo Castello Branco. Institucionaliza a ditadura do Regime Militar de 1964.
Principais medidas - Mantém o bipartidarismo criado pelo Ato Adicional n° 2 e estabelece eleições indiretas para presidente da República, com mandato de quatro anos.
Reformas - Emenda Constitucional n° 1, de 1969 (praticamente se considera uma nova constituição), outorgada pela Junta Militar. Incorpora nas suas Disposições Transitórias os dispositivos do Ato Institucional n° 5 (AI-5), de 1968, permitindo que o presidente, entre outras coisas, feche o Congresso, casse mandatos e suspenda direitos políticos. Dá aos governos militares completa liberdade de legislar em matéria política, eleitoral, econômica e tributária. Na prática, o Executivo substitui o Legislativo e o Judiciário. No período da abertura política, várias outras emendas preparam o restabelecimento de liberdades e instituições democráticas.
A Constituição de 1988
É a Constituição em vigor. Elaborada por uma Assembléia Constituinte, legalmente convocada e eleita, é promulgada no governo José Sarney. É a primeira a permitir a incorporação de emendas populares. Boa parte dos dispositivos constitucionais ainda depende de regulamentação.
Principais medidas - Mantém a tradição republicana brasileira do regime representativo, presidencialista e federativo. Amplia e fortalece os direitos individuais e as liberdades públicas que haviam sofrido restrições com a legislação do Regime Militar-, garantindo a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Conserva o Poder Executivo forte permitindo a edição de medidas provisórias com força de lei - vigoram por um mês e são reeditadas enquanto não forem aprovadas ou rejeitadas pelo Congresso. Estende o direito do voto facultativo a analfabetos e maiores de 16 anos. Estabelece a educação fundamental como obrigatória, universal e gratuita. Enfatiza a defesa do meio ambiente, transformando o combate à poluição e a preservação da fauna, flora e paisagens naturais em obrigação da União, estados e municípios. Reconhece também o direito de todos ao meio ambiente equilibrado e a uma boa qualidade de vida. Determina que o poder público tem o dever de preservar documentos, obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, bem como os sítios arqueológicos.
Reformas - Começam a ser votadas pelo Congresso Nacional a partir de 1992. Algumas das principais medidas abrem para a iniciativa privada atividades antes restritas à esfera de ação do Estado. Essa desregulamentação é feita com o objetivo de adequar o país às regras econômicas do mercado internacional. Para isso é liberada a navegação pela costa e interior do país (cabotagem) para embarcações estrangeiras. O conceito de empresa brasileira de capital nacional é eliminado, não havendo mais distinção entre empresa brasileira e estrangeira. A iniciativa privada, tanto nacional quanto internacional, é autorizada a explorar a pesquisa, a lavra e a distribuição dos derivados de petróleo, as telecomunicações e o gás encanado. As empresas estrangeiras adquirem o direito de exploração dos recursos minerais e hidráulicos.
Na política ocorre a regulamentação de questões eleitorais, o mandato do presidente da República é reduzido de cinco para quatro anos e, em 1997, é aprovada a reeleição do presidente da República, de governadores e prefeitos. Candidatos processados por crime comum não podem ser eleitos, e os parlamentares submetidos a processo que possa levar à perda de mandato e à inelegibilidade não podem renunciar para impedir a punição. A Constituição também passa a admitir a dupla nacionalidade para brasileiros em dois casos: quando estes têm direito a outra nacionalidade por ascendência consangüínea ou quando a legislação de um país obriga o cidadão brasileiro residente a pedir sua naturalização.
+++ Etecetera
http://www.brasil.gov.br/
Brasileirinho, Altamiro Carrilho
Sábado, 31 de Janeiro de 2004
"De nada adianta cercear um coração vazio ou economizar alma..."
Luís Fernando Veríssimo
Pra mim esta parte do Veríssimo já está ótima! Estou indo pra balada. Uns amigos meus estão vindo aqui me buscar, e eu tenho certeza que o pé quebrado (tsc, tsc) não será obstáculo. Só não falarei pro médico, né?
+++ Etecetera
http://www.hablaserio.com.br
Stayin' alive, Bee Gees
Luís Fernando Veríssimo
Pra mim esta parte do Veríssimo já está ótima! Estou indo pra balada. Uns amigos meus estão vindo aqui me buscar, e eu tenho certeza que o pé quebrado (tsc, tsc) não será obstáculo. Só não falarei pro médico, né?
+++ Etecetera
http://www.hablaserio.com.br
Stayin' alive, Bee Gees
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2004
O que é arte?
Objetivamente, Arte pode ser uma forma direta (ou indireta) de transmissão de emoções. Seria a transfiguração de um sentimento, a sublimação do metafísico.
Todos já ouvimos falar, por exemplo, que o cinema é a sétima arte, mas vocês sabem quais são as outras?
Essa classificação é bastante simples e razoável, podendo até mesmo ser hierarquizada:
Primeira arte >>> Música
Segunda arte >>> Dança
Terceira arte >>> Plástica bidimensional (Desenho/Pintura)
Quarta arte >>> Plástica tridimensional (Escultura)
Quinta arte >>> Teatro
Sexta arte >>> Literatura
Sétima arte >>> Cinema
As quatro primeiras artes são certamente mais antigas. Nasceram com o mundo pré-escrito e já eram materializadas, de alguma forma, pelos animais. A ordem entre a quinta e a sexta arte é ainda controversa. Considera-se o Teatro como mais antiga que a Literatura, justamente por esta estar à mercê da invenção da escrita, por volta de 4.000 anos antes de Cristo. A sétima arte talvez seja a mais fascinante por tentar reunir todas as outras.
Sinceramente, ainda não sei exato se possuo uma preferência sobre este conjunto, que forma a essência de tudo que é do cosmos.
De qualquer maneira, momento cultural, só para tirar o cérebro do formol.
+++ Etecetera
http://www.xr.pro.br/Arte.html
Whole, de Renoir
Objetivamente, Arte pode ser uma forma direta (ou indireta) de transmissão de emoções. Seria a transfiguração de um sentimento, a sublimação do metafísico.
Todos já ouvimos falar, por exemplo, que o cinema é a sétima arte, mas vocês sabem quais são as outras?
Essa classificação é bastante simples e razoável, podendo até mesmo ser hierarquizada:
Primeira arte >>> Música
Segunda arte >>> Dança
Terceira arte >>> Plástica bidimensional (Desenho/Pintura)
Quarta arte >>> Plástica tridimensional (Escultura)
Quinta arte >>> Teatro
Sexta arte >>> Literatura
Sétima arte >>> Cinema
As quatro primeiras artes são certamente mais antigas. Nasceram com o mundo pré-escrito e já eram materializadas, de alguma forma, pelos animais. A ordem entre a quinta e a sexta arte é ainda controversa. Considera-se o Teatro como mais antiga que a Literatura, justamente por esta estar à mercê da invenção da escrita, por volta de 4.000 anos antes de Cristo. A sétima arte talvez seja a mais fascinante por tentar reunir todas as outras.
Sinceramente, ainda não sei exato se possuo uma preferência sobre este conjunto, que forma a essência de tudo que é do cosmos.
De qualquer maneira, momento cultural, só para tirar o cérebro do formol.
+++ Etecetera
http://www.xr.pro.br/Arte.html
Whole, de Renoir
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2004
Soneto
Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.
Amor é brando, é doce e é piedoso;
Quem o contrário diz não seja crido:
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens e inda aos deuses odioso.
Se males faz Amor, em mi se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.
Mas todas suas iras são de amor;
Todos estes seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.
Luís de Camões
+++ Etecetera
A insustentável leveza do ser, Milan Kundera
Nocturne op48 nº 01 in C miror, Chopin
Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.
Amor é brando, é doce e é piedoso;
Quem o contrário diz não seja crido:
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens e inda aos deuses odioso.
Se males faz Amor, em mi se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.
Mas todas suas iras são de amor;
Todos estes seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.
Luís de Camões
+++ Etecetera
A insustentável leveza do ser, Milan Kundera
Nocturne op48 nº 01 in C miror, Chopin
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2004
Crônica do coração
Zé Barnabé era um cara legal, rodeado de amigos e tal. Vivia sempre alegre. Adorava ouvir música, caminhar à Beira-mar, praticar esportes. Também estudava com afinco. Gostava mesmo de saber o que estava fazendo; era um homem que ficava mal em estar por fora dos assuntos do momento. Lia jornal. Todos os dias! Política era sua utopia! Mas o que interessava mesmo era Ritinha. Política era o passatempo, assim como o vinho e o uísque. Ritinha era sua paixão! Faria tudo por ela. O problema é que Zé Barnabé era meio desajeitado. Até era sim meio galã, com ar esnobe e prepotente. Mas ainda assim ele não levava jeito para cavalheiro. Pior mesmo, levava jeito era pra cachaçeiro! Ah...isso era a especialidade. Botequim de quinta, boemia ferrada, cana das boas. Ainda bem que ele era azarado, porque senão até na jogatina o filho-da-puta se dava bem.
- Diga, meu filho, o que acontece?
- Eu sou muito azarado.
- Não seja presunçoso. Tem uma família que te ama, amigos que te querem bem, muita coisa.
- Tinha, tinha.
- Como aconteceu?
- Estava com muitos amigos, conversando, bebendo. Sabe esse negócio de bar e tal. O negócio é prazeroso. Mas o chão desaba...
- Ahhh...entendo! As coisas do coração, não é?
- Pois é!
- Qual era o nome?
- Ritinha era seu nome.
- Isto não é explicável!
- Até que é, mas não consigo. Quando acontece a ira é superior a qualquer sentimento. Incontrolável!
- Pulaste a cerca?
- Pois é! Sem pudor ou escrúpulos! Era a raiva, acho. Mas agora tanto faz!
- Morreste, então?
- É! Pela primeira vez!
- Continue.
- Bom, depois disso achei que não mais conseguiria seguir meus objetivos. Naquele momento desabou tudo!
- Foi bom?
- Descobri mais tarde que não adiantava. Morri pela segunda vez!
- Entendo! Que fizeste, então?
- Lembrei-me de um amigo: quando perderes uma base na vida, recorra às outras. Ainda possuía minha família, meus amigos e meu trabalho.
- Mas não o principal!
- É! Não o que mais queria, mas isso não significa que o resto seja menos importante. Tudo ajudou, mas passei por uns péssimos bocados.
- Melhorou?
- Achei que estivesse melhorando. Mas começei a me apoiar em coisas fúteis, tais como a vida noturna, baladas, bebida. Boemia de verdade.
- Pelo menos esqueceu!
- Sim, mas acabei morrendo! Pela terceira vez!
- De quê?
- Cirrose! Tudo por causa de um amigo que conheci. Ele não me fazia bem.
- Que amigo?
- O Wall Street! Eu adorava ele, mas não me fazia bem. Até nem me sentia mal por estar com ele, todos os dias. Mas fiquei muito sentido quando ele me passou essa rasteira. Claro que não me esqueci dos outros amigos. Também andava com a cevada, o fermentado, o destilado. Mas o malte era meu companheiro inseparável, até que...
- Até que o quê?
- Até que resolvi me reciclar! Parei para pensar em como eu era responsável e minha vida era organizada. Acabei me fortaleçendo com a idéia de que nada é por acaso e que mesmo um coração valente pode sofrer desilusões incompreenssíveis. Na verdade acabei me acostumando com a dor.
- Que bom que você aprendeu a lidar como os problemas. Pelo menos não sofreu mais desilusões!
- Mais ou menos! As pessoas não se contentam em pisar uma nas outras. Preferem esmagar até que saia quase todo o sangue. A vaidade é uma merda mesmo. Nitsche dizia isso. Ele comparava a vaidade à pele dos seres humanos. Os sentimentos podres eram mascarados pela vaidade tal como a pele escondia a fealdade dos nossos órgãos internos.
- O que aconteceu desta vez?
- Acabei morrendo, pela quarta vez!
- Hum...
- Mas não desisti não! Levantei a cabeça e toquei o barco pra frente. Se bem que a esta altura eu já não tinha mais emprego, não queria estudar, não sabia mais com quem falar e muito menos que rumo tomar.
- Deixe-me adivinhar...amigos?
- Também! Meus amigos e minha família me apoiaram nesta nova fase. Eu não entendia direito o que estava acontecendo, por isso mesmo achei melhor fazer o que parecia mais adequado.
- Mas você não fez nada para evitar tudo isso?
- Até tentei, sabe. Até tentei. Mas parece que não surtiu efeito nenhum, embora eu nunca acreditaria nisso. Das poucas vezes que agi com impulso me arrependo somente de não poder me expressar com os olhos. Infelizmente hei de concordar com Nitsche, mais uma vez.
- Mas desta vez você se livrou desta arruaça, ora pois!
- Superficialmente sim! Acabei criando uma certa barreira contra maus fluídos que me deixou inerte à vaidade alheia.
- Tudo bem então, mas como você veio parar aqui?
- Bom, São Pedro, alguns amigos vieram me visitar e fomos juntos a um show lá na minha cidade.
- Tá, e daí?
- Bom, estávamos atrasados para o evento. Todos meus amigos e eu, bebendo cerveja e jogando conversa fora, até que resolvemos entrar no dito cujo.
- E...
- E então que para cortar caminho resolvemos pular uma cerca.
- De novo?
- Pois é! Acabei caindo de mau jeito e quebrei o pé!
- Mas como você veio parar aqui em cima?
- Você se lembra que eu estava com pouco sangue, por causa daquele negócio de vaidade e tal?
- Sim, me lembro!
- Hemorragia externa. Acabei morrendo. Pela quinta vez!
- Não acredito! Agora pelo menos você sossega o facho aqui no céu.
- Felizmente não, meu caro. Ontem mesmo me disseram que eu era um gato e que nada poderia me segurar. E como os gatos têm sete vidas, acho que descerei mais uma vez para aproveitar minhas outras duas.
- É, Zé Barnabé, você é mesmo azarado! Eu só espero não vê-lo de novo tão cedo!
- Se Deus quiser, São Pedro! Se Deus quiser!
Rodrigo Sluminsky
+++ Etecetera
www.releituras.com
Samba da Bêncão, Vinícius de Moraes
Zé Barnabé era um cara legal, rodeado de amigos e tal. Vivia sempre alegre. Adorava ouvir música, caminhar à Beira-mar, praticar esportes. Também estudava com afinco. Gostava mesmo de saber o que estava fazendo; era um homem que ficava mal em estar por fora dos assuntos do momento. Lia jornal. Todos os dias! Política era sua utopia! Mas o que interessava mesmo era Ritinha. Política era o passatempo, assim como o vinho e o uísque. Ritinha era sua paixão! Faria tudo por ela. O problema é que Zé Barnabé era meio desajeitado. Até era sim meio galã, com ar esnobe e prepotente. Mas ainda assim ele não levava jeito para cavalheiro. Pior mesmo, levava jeito era pra cachaçeiro! Ah...isso era a especialidade. Botequim de quinta, boemia ferrada, cana das boas. Ainda bem que ele era azarado, porque senão até na jogatina o filho-da-puta se dava bem.
- Diga, meu filho, o que acontece?
- Eu sou muito azarado.
- Não seja presunçoso. Tem uma família que te ama, amigos que te querem bem, muita coisa.
- Tinha, tinha.
- Como aconteceu?
- Estava com muitos amigos, conversando, bebendo. Sabe esse negócio de bar e tal. O negócio é prazeroso. Mas o chão desaba...
- Ahhh...entendo! As coisas do coração, não é?
- Pois é!
- Qual era o nome?
- Ritinha era seu nome.
- Isto não é explicável!
- Até que é, mas não consigo. Quando acontece a ira é superior a qualquer sentimento. Incontrolável!
- Pulaste a cerca?
- Pois é! Sem pudor ou escrúpulos! Era a raiva, acho. Mas agora tanto faz!
- Morreste, então?
- É! Pela primeira vez!
- Continue.
- Bom, depois disso achei que não mais conseguiria seguir meus objetivos. Naquele momento desabou tudo!
- Foi bom?
- Descobri mais tarde que não adiantava. Morri pela segunda vez!
- Entendo! Que fizeste, então?
- Lembrei-me de um amigo: quando perderes uma base na vida, recorra às outras. Ainda possuía minha família, meus amigos e meu trabalho.
- Mas não o principal!
- É! Não o que mais queria, mas isso não significa que o resto seja menos importante. Tudo ajudou, mas passei por uns péssimos bocados.
- Melhorou?
- Achei que estivesse melhorando. Mas começei a me apoiar em coisas fúteis, tais como a vida noturna, baladas, bebida. Boemia de verdade.
- Pelo menos esqueceu!
- Sim, mas acabei morrendo! Pela terceira vez!
- De quê?
- Cirrose! Tudo por causa de um amigo que conheci. Ele não me fazia bem.
- Que amigo?
- O Wall Street! Eu adorava ele, mas não me fazia bem. Até nem me sentia mal por estar com ele, todos os dias. Mas fiquei muito sentido quando ele me passou essa rasteira. Claro que não me esqueci dos outros amigos. Também andava com a cevada, o fermentado, o destilado. Mas o malte era meu companheiro inseparável, até que...
- Até que o quê?
- Até que resolvi me reciclar! Parei para pensar em como eu era responsável e minha vida era organizada. Acabei me fortaleçendo com a idéia de que nada é por acaso e que mesmo um coração valente pode sofrer desilusões incompreenssíveis. Na verdade acabei me acostumando com a dor.
- Que bom que você aprendeu a lidar como os problemas. Pelo menos não sofreu mais desilusões!
- Mais ou menos! As pessoas não se contentam em pisar uma nas outras. Preferem esmagar até que saia quase todo o sangue. A vaidade é uma merda mesmo. Nitsche dizia isso. Ele comparava a vaidade à pele dos seres humanos. Os sentimentos podres eram mascarados pela vaidade tal como a pele escondia a fealdade dos nossos órgãos internos.
- O que aconteceu desta vez?
- Acabei morrendo, pela quarta vez!
- Hum...
- Mas não desisti não! Levantei a cabeça e toquei o barco pra frente. Se bem que a esta altura eu já não tinha mais emprego, não queria estudar, não sabia mais com quem falar e muito menos que rumo tomar.
- Deixe-me adivinhar...amigos?
- Também! Meus amigos e minha família me apoiaram nesta nova fase. Eu não entendia direito o que estava acontecendo, por isso mesmo achei melhor fazer o que parecia mais adequado.
- Mas você não fez nada para evitar tudo isso?
- Até tentei, sabe. Até tentei. Mas parece que não surtiu efeito nenhum, embora eu nunca acreditaria nisso. Das poucas vezes que agi com impulso me arrependo somente de não poder me expressar com os olhos. Infelizmente hei de concordar com Nitsche, mais uma vez.
- Mas desta vez você se livrou desta arruaça, ora pois!
- Superficialmente sim! Acabei criando uma certa barreira contra maus fluídos que me deixou inerte à vaidade alheia.
- Tudo bem então, mas como você veio parar aqui?
- Bom, São Pedro, alguns amigos vieram me visitar e fomos juntos a um show lá na minha cidade.
- Tá, e daí?
- Bom, estávamos atrasados para o evento. Todos meus amigos e eu, bebendo cerveja e jogando conversa fora, até que resolvemos entrar no dito cujo.
- E...
- E então que para cortar caminho resolvemos pular uma cerca.
- De novo?
- Pois é! Acabei caindo de mau jeito e quebrei o pé!
- Mas como você veio parar aqui em cima?
- Você se lembra que eu estava com pouco sangue, por causa daquele negócio de vaidade e tal?
- Sim, me lembro!
- Hemorragia externa. Acabei morrendo. Pela quinta vez!
- Não acredito! Agora pelo menos você sossega o facho aqui no céu.
- Felizmente não, meu caro. Ontem mesmo me disseram que eu era um gato e que nada poderia me segurar. E como os gatos têm sete vidas, acho que descerei mais uma vez para aproveitar minhas outras duas.
- É, Zé Barnabé, você é mesmo azarado! Eu só espero não vê-lo de novo tão cedo!
- Se Deus quiser, São Pedro! Se Deus quiser!
Rodrigo Sluminsky
+++ Etecetera
www.releituras.com
Samba da Bêncão, Vinícius de Moraes
Terça-feira, 27 de Janeiro de 2004
É preciso não esquecer nada
É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.
Cecília Meireles
Talvez alguém aqui leia a coluna semanal da Martha Medeiros (http://almas.terra.com.br/). Não, não peguei lá esta poesia da Cecília. Simplesmente reconheci certa semelhança entre os dois textos. A interpretação desta obra poética continuará à deriva, eterna, intocável! O texto da Martha é sim mais simples, porém não perde seu mérito. A idéia essencial poderia ser resumida naquele célebre aforismo: "Nada dura para sempre!". O paradoxo é fascinante, como se fossem pular de um precipício e desligar a gravidade ao mesmo tempo! Não podemos de maneira alguma esquecer de nada, principalmente que devemos nos esquecer! Chega a ser patético, não chega?
Viver incansavelmente atrás dos píncaros da vitória e renunciá-los com o triunfo. Para onde então, José?
Não defendo nem Calvino nem Bob Marley! Também não acho que estou sendo morno, digno da anabolia bíblica! Acredito sinceramente no poder do trabalho e do esforço individual como garantias para uma vida decente, mas não sei porque não viver ao mesmo tempo! Ociosidade não é um substantivo difícil de ser detectado, mas o julgamento precoce de situações determinadas pode ser irreversível!
Viver é a melhor saída e, de preferência, sem pensar em como vamos morrer!
É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.
Cecília Meireles
Talvez alguém aqui leia a coluna semanal da Martha Medeiros (http://almas.terra.com.br/). Não, não peguei lá esta poesia da Cecília. Simplesmente reconheci certa semelhança entre os dois textos. A interpretação desta obra poética continuará à deriva, eterna, intocável! O texto da Martha é sim mais simples, porém não perde seu mérito. A idéia essencial poderia ser resumida naquele célebre aforismo: "Nada dura para sempre!". O paradoxo é fascinante, como se fossem pular de um precipício e desligar a gravidade ao mesmo tempo! Não podemos de maneira alguma esquecer de nada, principalmente que devemos nos esquecer! Chega a ser patético, não chega?
Viver incansavelmente atrás dos píncaros da vitória e renunciá-los com o triunfo. Para onde então, José?
Não defendo nem Calvino nem Bob Marley! Também não acho que estou sendo morno, digno da anabolia bíblica! Acredito sinceramente no poder do trabalho e do esforço individual como garantias para uma vida decente, mas não sei porque não viver ao mesmo tempo! Ociosidade não é um substantivo difícil de ser detectado, mas o julgamento precoce de situações determinadas pode ser irreversível!
Viver é a melhor saída e, de preferência, sem pensar em como vamos morrer!
Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2004
Serei ainda mais sincero, queridos!
Se você não está apaixonado e feliz com seu amor, se você está com sono e não tem a mínima idéia do que está lendo ou se você detesta sofrer, não leia esta prosa!
Eu a coloco neste espaço porque me sinto maravilhado deparando quase que diariamente com o sentimentalismo de Vinícius. Amar, amar e amar, sem medo, sem receios!
Idiotas saberão sempre o que são e o que foram, farão nada ou quase nada para mudar o mundo e ainda estarão sempre por cima! Contentam-se com isso, ainda! Sorte de quem está longe!
Prefiro chorar comigo mesmo e ter a certeza que vale a pena!
Ainda mais agora que quebrei a perna - este final de semana - e saí do escritório que trabalhava - semana passada. Terei mais tempo para divagar!
Beijos e abraços et coetera!
Para uma menina com uma flor
Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara– na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.
Vinicius de Moraes
Se você não está apaixonado e feliz com seu amor, se você está com sono e não tem a mínima idéia do que está lendo ou se você detesta sofrer, não leia esta prosa!
Eu a coloco neste espaço porque me sinto maravilhado deparando quase que diariamente com o sentimentalismo de Vinícius. Amar, amar e amar, sem medo, sem receios!
Idiotas saberão sempre o que são e o que foram, farão nada ou quase nada para mudar o mundo e ainda estarão sempre por cima! Contentam-se com isso, ainda! Sorte de quem está longe!
Prefiro chorar comigo mesmo e ter a certeza que vale a pena!
Ainda mais agora que quebrei a perna - este final de semana - e saí do escritório que trabalhava - semana passada. Terei mais tempo para divagar!
Beijos e abraços et coetera!
Para uma menina com uma flor
Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara– na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.
Vinicius de Moraes
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2004
Soneto da Fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes
Já me cansei de você, Vinícius!
Para quê exaltar (e de uma forma tão incontestável) a beleza e a necessidade antilógicas do amor para o desenvolvimento da humanidade? Escárnio para conosco, mortais?
Você diz sem pudor que a tristeza é consequência ignóbil da saudade, perfeitamente contornável.
Ah, Vinícius, será mesmo que essa mulher cheia de perdão existe?
Ira, incontrolável ira! Impossibilidade terrena de aceitar o inaceitável!
Soluços e espasmos, e vice-versa!
"Dor (...) De querer quem não vem (...) De viver sem seu bem (...) Que perdoa ninguém (...) Tão triste dor"
Não sei mais porque perco meu tempo com você, Vinícius! Totalmente ininteligível, igual a mim...
Mas Poeta, os adversos se atraem, não os harmônicos! Os afins não, Poeta!
Queria vivê-lo em cada ínfimo ensejo, asseguro-lhe. Simplesmente pelo prazer divino que era sentir a aurora em meu peito, e perceber que havia (ah, e havia mesmo...) a mutualidade.
Nada metafísico perdura mais do que o ridículo, vencido pela descrença e morto pelo descaso.
Não dir-me-ia você, Poeta, tais desatinos no pretérito. Jamais você, Poeta!
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes
Já me cansei de você, Vinícius!
Para quê exaltar (e de uma forma tão incontestável) a beleza e a necessidade antilógicas do amor para o desenvolvimento da humanidade? Escárnio para conosco, mortais?
Você diz sem pudor que a tristeza é consequência ignóbil da saudade, perfeitamente contornável.
Ah, Vinícius, será mesmo que essa mulher cheia de perdão existe?
Ira, incontrolável ira! Impossibilidade terrena de aceitar o inaceitável!
Soluços e espasmos, e vice-versa!
"Dor (...) De querer quem não vem (...) De viver sem seu bem (...) Que perdoa ninguém (...) Tão triste dor"
Não sei mais porque perco meu tempo com você, Vinícius! Totalmente ininteligível, igual a mim...
Mas Poeta, os adversos se atraem, não os harmônicos! Os afins não, Poeta!
Queria vivê-lo em cada ínfimo ensejo, asseguro-lhe. Simplesmente pelo prazer divino que era sentir a aurora em meu peito, e perceber que havia (ah, e havia mesmo...) a mutualidade.
Nada metafísico perdura mais do que o ridículo, vencido pela descrença e morto pelo descaso.
Não dir-me-ia você, Poeta, tais desatinos no pretérito. Jamais você, Poeta!
Terça-feira, 13 de Janeiro de 2004
Saudade
"...Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: "aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido..."
Pablo Neruda
Não sei se posso chamar o dia de hoje de atípico, mas normal asseguro-lhes que não foi. Também não sei se saudade é o que mais sinto agora. Não que eu não esteja com saudades...ah, quem não gosta de queijo com goiabada, ou de andar descalço na lama, mas isso não pode ser feito todos os dias, infelizmente.
Hoje, depois de um final de semana também excêntrico, peço licença ao poeta para publicar seus ensinamentos.
Só não entendo esse emaranhado de coisas que vêm à cabeça, desalinhadas e imbecis, incapazes de construírem uma perspectiva a longo prazo. Acho que estou perdendo o chão mais rápido do que meus olhos conseguem ver!
"...Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: "aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido..."
Pablo Neruda
Não sei se posso chamar o dia de hoje de atípico, mas normal asseguro-lhes que não foi. Também não sei se saudade é o que mais sinto agora. Não que eu não esteja com saudades...ah, quem não gosta de queijo com goiabada, ou de andar descalço na lama, mas isso não pode ser feito todos os dias, infelizmente.
Hoje, depois de um final de semana também excêntrico, peço licença ao poeta para publicar seus ensinamentos.
Só não entendo esse emaranhado de coisas que vêm à cabeça, desalinhadas e imbecis, incapazes de construírem uma perspectiva a longo prazo. Acho que estou perdendo o chão mais rápido do que meus olhos conseguem ver!
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