segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O que era?

Eu tinha uma dádiva.
Se fosse por mim,
Nem se continha.
Era uma infâmia.

Mas nada era
Se não percebia.

Como uma mácula
Uma falta de dor
Só se sentia perto
Se perto consentia.
E era difícil andar ou
A graça estremecer.

O que era, então?

Era o silêncio do não
E a desatina canção.
Um poço de verdade.

Nada do que já existe.
Às vezes é só fantasia
Quase sempre era.

Já não é mais!
Agora é a verdade
Que de tão séria
Vai faltar por lá,
na terra da cortesia.

Rodrigo Sluminsky



+++ Etecetera

Insensatez, Vinícius de Moraes e Tom Jobim