Não obstante toda insalubridade, o coração sobrevive à miséria. Anda pelos becos, afugentado, à procura de abrigo. Chega a cantar "Singing in the rain" sem guarda-chuva, absurdo para o cinema clássico. Aos prantos, imita Charles Chaplin a proteger a vida do bebê indefeso.
O ódio torna-se refém da ternura ao perceber que, mesmo desamparado, pode estar melhor acompanhado consigo mesmo. Sente frio. O Sangue, outrora vermelho-sangue, refrigera-se ao azul-escuro. Seus dezenove centímetros de altura não passam agora de quinze de largura. Manchas púrpuras rodeiam suas extremidades.
Foi então que percebe o perigo. Corre desesperadamente. Pula duas ou três cercas, deita-se. O silêncio é interrompido, subitamente. Gritos de escárnio. O coração, afugentado, recomeça sua fuga desnorteada. Pula no lago recém congelado. Aquela noite de outono trouxera os píncaros da saudade. Imerge! Nessa hora o coração já está gelado, intransponível. Sente calafrios, medos, sensações de indiferença. De...
“...amar é cumplicidade. é precisamente, entregar-se. o tempo não tem efeito sobre o amor. o tempo gera a consciência necessária à ação. pois amar é um verbo de ação.” Rodrigo Sluminsky