No lugar comum as pessoas voltam pra casa, os carros pegam a estrada, as crianças brincam na calçada. O vento sopra diferente, no lugar comum. Tem dia que não é quente, na madrugada há pouca gente, as paredes das casas são alvas. O lugar comum é onde tem pássaro e mar todo dia, o relógio bate ao meio-dia, a moça negra faz café, numa espécie de mimetismo. As pessoas têm duas pernas e podem chegar aonde querem. Aqui não se chega acolá, já no lugar comum há sempre lugares para ir, belas histórias para ouvir, coisas novas para ver. As pessoas se percebem, entretidas umas nas outras :algo de si nelas mesmas. Porque no lugar comum tem muita coisa incomum. Tem papai noel e televisão, tem feriados, dias da semana (qual dia não seria?), e tem u ma coisa que incomoda bastante, que pela falta de nome as pessoas chamam de coração. E quando falam isso não me parece mais o lugar comum. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Autopsicografia , Fernando Pessoa