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Mostrando postagens de setembro, 2007

Silêncio

Há dias inteiros em que se passam todos os momentos, normalmente sem que de você as pessoas ouçam uma singular palavra um grito do êxtase um lamento sequer. Esses dias foram feitos de algodão para serem passados sem perceber a existência de sons do emissário. Que de fato nem existem, os sons de vozes, espasmos ou lamentos propagando-se em ondas no ar. Dias em que não se diz palavra alguma um dia inteiro, sem palavra alguma só para dizer para quem puder sentir que a voz do silêncio, naquele momento diz tudo que alguém gostaria de ouvir. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera O sol.

Ofegante

Pode até ser bonito teu ar de erudito esse pensar lúdico de padrão regular. Mas respiras pouco do ar que podes dispnéia pela razão em primeiro lugar. E tu olhas pra gente com esse ar esnobe que perante o público só tens a dissimular. Arre! , se bem sabes o ar que respiras, por que ainda não paraste de pensar? Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Racional , Tim Maia

Viva a beleza da vida!

Aos que desejam a morte escarlate a qualquer custo lamento afirmar que minha poesia tem o viés negativo em favor dos prazeres da própria carne e da heresia. Toda vez que percebo a vitória do grotesco, do descortês, trago imediatamente à mão todas as minhas esferográficas e reescrevo de modo diverso o mesmo poema de ontem. Tal qual uma epopéia reacionária ou uma cruzada sem deus, porém redigida em forma de movimentos em uma sinfonia. Altercamo-nos hoje e a cada novo dia contra a proliferação gratuita do feio, do hermeticamente horrendo, contra aquilo que causa desconforto interno quando em nosso âmago percebemos por sentidos o desastre. Aos que desejam a funesta infelicidade dos mortais, prezamos por esse combate deveras vezes ideológico, porém reconfortante como fardos de algodão em rama simetricamente dispostos em forma de salvaguarda, para salvar-nos da maior queda: a nossa própria. Sim, porque o feio somos nós mesmos quando nos vemos no espelho da realidade, aplicamos nossos feios p...

Chove, chuva!

Um incontável número de gotas desabam frias sobre a multidão, que suporta o ônus liquefeito da jactância escorrendo pelo esgoto. O barulho intenso dos relâmpagos anuncia o vigor temido da limpeza, que extermina qualquer impureza e desguarnece o mal intencionado. É chegada a hora certa da verdade! Não há tempo ruim para contestar o inefável valor das palavras, nem momento distinto para esquivar-se. A chuva ora cai em precedência ao belo sentimento ulterior de limpidez talvez tão belo e necessário que não acaba cedo o tormento dos homens. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera November Rain , Guns N' Roses

Volúpia do Mundo

Havia um forte desejo de sentir novamente aquele fato inusitado. Pensar na forma torpe de sua mácula restante não altera a mistificação. Um apetite imensurável de propagar a vida amante o nosso mais belo legado. Abraçar a volúpia do mundo para continuar apaixonante a nossa única condição. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera As Canções Que Você Fez Pra Mim , Maria Bethânia

Mansidão

Seria tão fácil dizer não fosse o tato, indizível momento de ser inexplicável fato suas pálpebras completamente bem delineadas sensação de exaspero singular porção de esmo e desejo reunião de mitos desfeitos no ato da posterior lágrima de solidão. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera All of me , Billie Holiday

Opinião

Sabe o que eu acho? As pessoas morreram de solidão. Sim, porque de excessos não foi! Quando um passarinho vem de mansinho e briga comigo sei que o mundo parou de girar. Ao menos para os astros, que bem na verdade somos eu e você, quando dizemos um no ouvido do outro que ficamos sem palavras. Tento imaginar porque ainda tem gente que desiste. Deve ser por não reconhecer a beleza noturna da lua, ou por manter enjaulados seus passarinhos na gaiola. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Let there be love , Oasis