Pular para o conteúdo principal
Tristeza Mediana

Que triste é, ó lua, o sentido ordinário das coisas
que pela manhã, acorda
que pela tarde, a corda
que pela noite, recorda

Que triste é, ó lua, a preleção dos mais velhos
que ontem, viveu
que hoje, sobrevive
que amanhã, morrerá

Que triste é, ó lua, o discurso apaixonado
que antes, chorava
que agora, assusta
que depois, ironiza

Que triste é, ó lua, a poesia
que fora salvação
que é dúvida
que será relíquia

Ò, minha lua, donde estão os destemores pelo esdrúxulo
que veneram a verdade
que afrontam os desafios
que desmascaram os fatos

Leve-me, por favor, intrépida lua
para onde não roubem meu amor
para onde meu estômago suporte
para onde não desvirtuem o simples ato de chorar

Rodrigo Sluminsky



+++ Etecetera

Tarde em Itapuã, Toquinho e Vinícius de Moraes

Discurso do Método, René Descartes

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O que era?

Eu tinha uma dádiva. Se fosse por mim, Nem se continha. Era uma infâmia. Mas nada era Se não percebia. Como uma mácula Uma falta de dor Só se sentia perto Se perto consentia. E era difícil andar ou A graça estremecer. O que era, então? Era o silêncio do não E a desatina canção. Um poço de verdade. Nada do que já existe. Às vezes é só fantasia Quase sempre era. Já não é mais! Agora é a verdade Que de tão séria Vai faltar por lá, na terra da cortesia. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Insensatez , Vinícius de Moraes e Tom Jobim

Interligados

de-longe vêm-nos espaços, abraços abertos, entreatos cobertos, retos e alvos e belos e livres, contêm de-imediato des-pedaçados algo de-aquém infantil, sutil mais-que-além que-lhos mantém acesos, atentos íntimos, ultra inter-ligados   Rodrigo Sluminsky  +++ Etecetera

Amor, de novo

I há tempos venho tentando entender o amor. comecei pela consciência. eu pouco sabia o que era amor. do afeto universal de uma mãe à completa desenvoltura de casais engrandecidos. eu pensava nas pessoas, nas suas necessidades. eu imaginava como atuavam nas situações hipotéticas. eu as sentia vibrar no esmero e na tentativa não aleatória de empatia.  II pouco a pouco retirei paixão da lista de momentos de amor. pensar nisso me dava forças para entender seus sacrifícios e suas recompensas. III amor fraterno era algo natural em mim, embora tolhido ao acaso. quando antes de forma inconsciente deleitava aos prazeres do amor desinteressado, acusava agora a consciência da correlação que naturalmente faço com a admiração. Não desmembrava da mesma caixa amor e reconhecimento. a consciência desta fraternidade distinta de admiração significou para mim o limite do ego e o fim da bajulação. IV desafio maior tem sido receber o amor ágape em todas as suas formas. a...