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Desalento

Às vezes estamos assim mesmo
imersos em caducidade crônica
insinuante de passado bem vivido
profeta de futuro desmantelado

chorando mágoas imaginárias
de causas que pereceram
no limbo do esquecimento
e que não voltam mais

ficam pra trás, por bem
e não voltam, não voltam
para nós, que ficamos
com o retrocesso

de restar onde se ficou
inteiramente esgotados
imobilizados por pernas e
braços e órgãos e tendões

inertes em querer se mover
para poder repetidamente
amar e amar e amar
até o desalento eterno

Rodrigo Sluminsky



+++ Etecetera

Modinha (de Tom Jobim), na voz de Olívia Bryngton

Comentários

Anônimo disse…
Sempre achei difícil entender poesia... talvez porque tentasse adivinhar as intenções do autor, e portanto não era livre para interpretar. Esta, no entanto, me é familiar. Me lembra uma conversa, depois de várias cervejas, numa noite de domingo. Estando eu certa ou não, fez todo o sentido do mundo! Só tenho uma palavra, simples e suficiente: linda...

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