Pular para o conteúdo principal

Ah, se todos soubessem...

Ah, se todos soubessem...
Fechar os olhos e desconectar
Todas as sinapses de lugar
Ouvir a ira saliente do trompete
Parafraseando sístole e diástole!
Não fossem os alvos, as metas
Os sábados aliciados em vão...
A ternura escorraçada ao acaso!
Se todos pudessem sentir o tato
Das pessoas que nem existem...
Se ao menos se tocassem, estes
Quiçá conhecessem o universo
Encravado naquele grão de areia
O mundo no leito da lealdade,
Todos com suas flores prediletas
Eu com minha adorável margarida
Que nem sei se flor ou se é moça
Mas de tão alva e frágil e bela
Fez de mim um indelével sonhador
E cada qual com seu ópio,
E cada protelado com sua cópia...
Por que cessaram com seus sonhos?
E por que temos que suportá-los
Se cá despretensiosos estamos?
Talvez precisem saber do anseio
Por um cabal grito de liberdade,
Do corpo e do espírito e tudo mais
Necessidade premente da soltura.
Mas não! Preferem os calabouços:
O entranhamento e estranhamento
De sentimentos, a horrenda sentinela
Que nos controla e alucina nosso ar
Com seus alucinógenos vulgares...
Se todos soubessem do resultado:
Que vale o amor, quando explode
Que vale a morte, quando revitaliza.
Tanta coisa maravilhosa à deriva
E os mortais, envoltos na pecúnia?
Triste ser, aquele deveras desolador,
Refutar o auge da loucura por Deus?
Preferir a retitude à sensibilidade?
Deixemo-nos tocar uns nos outros,
Permitamo-nos a mistura de cores...
Só quero um pouco de mim em você
E um pouco de você nela, sem alarde
Uma miscigenação da lascívia alheia
E todos e sempre com olhos no além e
Ouvidos e flancos perpétuos à felicidade.
Oxalá uma vida a esmo e sem carência,
Só a incontinência, desvairada e linda,
E um só tempo para os sempiternos.

Rodrigo Sluminsky




+++ Etecetera

O mundo é um moinho, Cartola

Comentários

Unknown disse…
ai, ai...
respiro fundo e suspiro...
vou imprimir...
amo. sempre!
Anônimo disse…
Coisas novas.

Adoro.

:)

Postagens mais visitadas deste blog

O que era?

Eu tinha uma dádiva. Se fosse por mim, Nem se continha. Era uma infâmia. Mas nada era Se não percebia. Como uma mácula Uma falta de dor Só se sentia perto Se perto consentia. E era difícil andar ou A graça estremecer. O que era, então? Era o silêncio do não E a desatina canção. Um poço de verdade. Nada do que já existe. Às vezes é só fantasia Quase sempre era. Já não é mais! Agora é a verdade Que de tão séria Vai faltar por lá, na terra da cortesia. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Insensatez , Vinícius de Moraes e Tom Jobim

Interligados

de-longe vêm-nos espaços, abraços abertos, entreatos cobertos, retos e alvos e belos e livres, contêm de-imediato des-pedaçados algo de-aquém infantil, sutil mais-que-além que-lhos mantém acesos, atentos íntimos, ultra inter-ligados   Rodrigo Sluminsky  +++ Etecetera

Amor, de novo

I há tempos venho tentando entender o amor. comecei pela consciência. eu pouco sabia o que era amor. do afeto universal de uma mãe à completa desenvoltura de casais engrandecidos. eu pensava nas pessoas, nas suas necessidades. eu imaginava como atuavam nas situações hipotéticas. eu as sentia vibrar no esmero e na tentativa não aleatória de empatia.  II pouco a pouco retirei paixão da lista de momentos de amor. pensar nisso me dava forças para entender seus sacrifícios e suas recompensas. III amor fraterno era algo natural em mim, embora tolhido ao acaso. quando antes de forma inconsciente deleitava aos prazeres do amor desinteressado, acusava agora a consciência da correlação que naturalmente faço com a admiração. Não desmembrava da mesma caixa amor e reconhecimento. a consciência desta fraternidade distinta de admiração significou para mim o limite do ego e o fim da bajulação. IV desafio maior tem sido receber o amor ágape em todas as suas formas. a...