Pular para o conteúdo principal

O Tempo (e as Pessoas)

Hoje é dia
Em que se percebem
Em que se avaliam
o quotidiano
a nossa vida

Onde nós somos 
os protagonistas

existia um tempo
não tão longe assim
onde o sol reluz igual
onde o mar termina
quando a hora tem tempo

e como tudo aquilo existia
todos nós - reservadamente
contemplávamos, ingênuos
O tempo.

E os que falaram antes
Sobre o tempo?
Foram eles tão cruéis
Quanto o tempo?

Um dia, naquele mesmo tempo
- que um dia de fato houve
O Tempo (e as Pessoas)
se perceberam
se avaliaram

o futuro não tinha papo
o passado esvaiu
as pessoas pintavam cruas
a natureza era mais bela
etc. etc. etc.

Tudo num só tempo!
que nunca mais aconteceu
que nunca mais acontecerá
em verdade - será?
que nunca sequer aconteceu

Hoje é dia
Em que se percebem
Em que se avaliam
o quotidiano
a nossa vida.

Rodrigo Sluminsky



+++ Etecetera

L'illusionniste (França, 2010)
Direção: Sylvain Chomet
Roteiro original: Jacques Tati

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O que era?

Eu tinha uma dádiva. Se fosse por mim, Nem se continha. Era uma infâmia. Mas nada era Se não percebia. Como uma mácula Uma falta de dor Só se sentia perto Se perto consentia. E era difícil andar ou A graça estremecer. O que era, então? Era o silêncio do não E a desatina canção. Um poço de verdade. Nada do que já existe. Às vezes é só fantasia Quase sempre era. Já não é mais! Agora é a verdade Que de tão séria Vai faltar por lá, na terra da cortesia. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Insensatez , Vinícius de Moraes e Tom Jobim

Interligados

de-longe vêm-nos espaços, abraços abertos, entreatos cobertos, retos e alvos e belos e livres, contêm de-imediato des-pedaçados algo de-aquém infantil, sutil mais-que-além que-lhos mantém acesos, atentos íntimos, ultra inter-ligados   Rodrigo Sluminsky  +++ Etecetera

Amor, de novo

I há tempos venho tentando entender o amor. comecei pela consciência. eu pouco sabia o que era amor. do afeto universal de uma mãe à completa desenvoltura de casais engrandecidos. eu pensava nas pessoas, nas suas necessidades. eu imaginava como atuavam nas situações hipotéticas. eu as sentia vibrar no esmero e na tentativa não aleatória de empatia.  II pouco a pouco retirei paixão da lista de momentos de amor. pensar nisso me dava forças para entender seus sacrifícios e suas recompensas. III amor fraterno era algo natural em mim, embora tolhido ao acaso. quando antes de forma inconsciente deleitava aos prazeres do amor desinteressado, acusava agora a consciência da correlação que naturalmente faço com a admiração. Não desmembrava da mesma caixa amor e reconhecimento. a consciência desta fraternidade distinta de admiração significou para mim o limite do ego e o fim da bajulação. IV desafio maior tem sido receber o amor ágape em todas as suas formas. a...