Pular para o conteúdo principal

De tempo em tempo

Tempo, tempo
tão grande e lento,
me deixa sonolento
só de não passar

assim, tão devagarzinho
que até um passarinho
nele depressa sente
a falta de voar

no tempo, que se propaga
no vento, sem passatempo
nesse relógio lento,
para dissimular

todo sentimento
de impotência e dor, de
ver em cacos meu amor
dilacerado no ar

Seria contratempo
jurar, em seu alento,
o padecimento
do verbo amar

dar tempo ao tempo
nesse momento,
é a melhor solução
para o tempo não fechar

porque se quer mesmo
um tempo, terá que me
dizer, a um só tempo
que não quer mais esperar.

Rodrigo Sluminsky



+++ Etecetera

Ao som do mar e à luz do céu profundo, Nelson Motta

Sobre o Tempo, Nenhum de Nós

Comentários

Anônimo disse…
livro que eu dei pra elisa de b-day. ainda não li, quero ler.

Postagens mais visitadas deste blog

O que era?

Eu tinha uma dádiva. Se fosse por mim, Nem se continha. Era uma infâmia. Mas nada era Se não percebia. Como uma mácula Uma falta de dor Só se sentia perto Se perto consentia. E era difícil andar ou A graça estremecer. O que era, então? Era o silêncio do não E a desatina canção. Um poço de verdade. Nada do que já existe. Às vezes é só fantasia Quase sempre era. Já não é mais! Agora é a verdade Que de tão séria Vai faltar por lá, na terra da cortesia. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Insensatez , Vinícius de Moraes e Tom Jobim

Interligados

de-longe vêm-nos espaços, abraços abertos, entreatos cobertos, retos e alvos e belos e livres, contêm de-imediato des-pedaçados algo de-aquém infantil, sutil mais-que-além que-lhos mantém acesos, atentos íntimos, ultra inter-ligados   Rodrigo Sluminsky  +++ Etecetera

Amor, de novo

I há tempos venho tentando entender o amor. comecei pela consciência. eu pouco sabia o que era amor. do afeto universal de uma mãe à completa desenvoltura de casais engrandecidos. eu pensava nas pessoas, nas suas necessidades. eu imaginava como atuavam nas situações hipotéticas. eu as sentia vibrar no esmero e na tentativa não aleatória de empatia.  II pouco a pouco retirei paixão da lista de momentos de amor. pensar nisso me dava forças para entender seus sacrifícios e suas recompensas. III amor fraterno era algo natural em mim, embora tolhido ao acaso. quando antes de forma inconsciente deleitava aos prazeres do amor desinteressado, acusava agora a consciência da correlação que naturalmente faço com a admiração. Não desmembrava da mesma caixa amor e reconhecimento. a consciência desta fraternidade distinta de admiração significou para mim o limite do ego e o fim da bajulação. IV desafio maior tem sido receber o amor ágape em todas as suas formas. a...