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Saudades...

Se me pudessem exprimir
e dar azo a múltiplas dores
quanto de saudades hão
de finalmente lastimar e
deixar de amar somente
por não estar presente?

E se já não se pode sentir
com coração calejado de
dor e alento, sensação oca,
póstuma de afeto sincero,
para que querer um ausente
se chega de novo o amante?

Saudade nenhuma da sobriedade!
Saudade nenhuma da ficção!
Saudades, só de sentir saudades!

E se é para sofrer, de ira e ódio
prefiro de novo a contemplação
que de tão sincera e puritana
é taxada de arrogante e podre
por ser, assim, tão contraditória
e ao mesmo tempo fundamental.

Rodrigo Sluminsky



+++ Etecetera

Vagamundo, Eduardo Galeano

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