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Revelações Sou um Amor apaixonado, de andar esvaziado, mente, e alucinado ressentindo a vontade de voar. Penso ser dono do mundo, tenho comportamento imundo, danço feito moribundo, sonhando poder assim ficar. Tenho vontades passageiras, onde perdem-se estribeiras e quebram-se cadeiras podendo nunca mais restar. Tento superar meu limite de poeta com labirintite, hepatite alcoólica, miocardite, ouvindo que há o que curar. Gosto mesmo de lágrima depravada, solitária, arruinada, ciente que fracassada, esperando alguém a perdoar. Prefiro a vida ordinária, de redundância hilária, ou de anônimo da Candelária, porém sem titubear. Sinto também a promiscuidade no sangue, de pudor ignorante e gênio arrogante, acreditando não mais se salvar. Posso ainda ser um marinheiro ou até um cancioneiro, com ou sem dinheiro, deixando a vida me guiar. Perdôo-me ser metafísico, então, daqueles que não vive em tabernáculo ou que não possui qualquer outro vínculo, implorando à alma do mesmo modo ressuscitar! Rod...
Marcha fúnebre Tristeza sem fim tira a mão de mim não percebe que nós estamos mortos há muito tempo Gelado demais depois de findos os carnavais e ainda assim brincam com nosso corpo Chuva d'água molhada que vem descendo a estrada corre por todos os lados fazendo chuá-chuá Cama do lençol vermelho não tem reflexo no espelho aquele que um dia foi e não mais pode acordar Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Manhã de Carnaval, Luiz Bonfá/Antônio Maria Noite na Taverna, Álvares de Azevedo
Trote a galope que pára quando puder "Se não pode dizer que existe algo a procurar, ainda mais nesses dias, fatigantes e supérfluos, que tardam a acabar de nascer - quando o fazem - , e pelo cansaço pôem-se a dormir, com olhos entre-cerrados, de vigília para o amanhã, sem nunca esquecer de lembrar os píncaros da derrota que os afugentara antes do amanhecer. Mas sim, o tempo se move pelas nossas mãos, sujas de brigadeiro - ou o doce feito com leite condensado - preparado de coração vazio, alguns dias atrás, e devorado até o fim, sem remorso ou compaixão. E é desse jeito que o dia nasce e continuará a nascer: imundo e sem coração!" Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Metropolitan Museum of Art
A Simples Arte de Não-Viver O mesmo passo :seco, de todos os dias . A mesma rua :cheia, sempre cheia. E somos tomados pelo vento, pensando donos do destino, como se existisse dono, destino. E andamos naquela mesma rua :seca, dos passos cheios, Pensando que essa gente, quando há, olha pra gente, como se alguém olhasse pra gente. E ainda assim fazemos mais ruas, mudamos os ventos, cremos em destino, olhamos pra gente, pensando donos da vida, como se a vida, quando há e se existisse, tivesse dono ou olhasse pra gente. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Victor Marie Hugo
Tristeza Mediana Que triste é, ó lua, o sentido ordinário das coisas que pela manhã, acorda que pela tarde, a corda que pela noite, recorda Que triste é, ó lua, a preleção dos mais velhos que ontem, viveu que hoje, sobrevive que amanhã, morrerá Que triste é, ó lua, o discurso apaixonado que antes, chorava que agora, assusta que depois, ironiza Que triste é, ó lua, a poesia que fora salvação que é dúvida que será relíquia Ò, minha lua, donde estão os destemores pelo esdrúxulo que veneram a verdade que afrontam os desafios que desmascaram os fatos Leve-me, por favor, intrépida lua para onde não roubem meu amor para onde meu estômago suporte para onde não desvirtuem o simples ato de chorar Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Tarde em Itapuã, Toquinho e Vinícius de Moraes Discurso do Método, René Descartes
Tamanho do Amor Ofegante e desnorteado, nasce novamente a luz, que sem pedir licença, avigora o coração. E caviloso, percebe que o Amor é do tamanho do sonho. Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera Le Nozze di Figaro, Wolfgang Amadeus Mozart Poema em Linha Reta, Fernando Pessoa
Dicotomias Dois verbos: Chorar e Sorrir. Em resposta à concórdia o Riso surge filantrópico; em resposta à discórdia o Choro põe-se egoísta. Com coração, sem coração; coração bom e coração mau, de amar ou não, de odiar ou não. E o mundo arrefece em dicotomias... Rodrigo Sluminsky +++ Etecetera A Casa de Rubem Alves